No futuro de Temer, não há lugar para as mulheres!

O capital estrangeiro, a burguesia nacional e os setores mais conservadores da política brasileira estão hoje em festa. No jogo de cartas marcadas na sessão do senado realizada ontem que aprovou a admissibilidade do impeachment, ficou evidente nas falas dos senadores a demarcação de que o governo golpista de Michel Temer veio para implementar um pacote de maldades sem precedentes na recente história brasileira.

Se falou abertamente sobre o fim da valorização do salário mínimo, cortes na previdência social e um verdadeiro desmonte da legislação trabalhista, na qual, o negociado estará acima do legislado e a terceirização será a regra. Além disso, não foram poupadas alusões diretas aos valores da família heteronormativa, da tradição da burguesia brasileira e da propriedade.

O caráter liberal e ultraconservador do “conjunto da obra” planejada por Temer se escancara com as nomeações aos ministérios, e dentre os nomeados, qual não é a surpresa ao constatar-se de que todos são homens, heterossexuais, empresários ou ruralistas, brancos.

Quantas mulheres? Nenhuma. Quantos negros? Nenhum. Quantos Lgbt’s? Nenhum.

No projeto Temer não há espaço para nós, não há espaço para os sujeitos que viverão as consequências diretas das políticas que serão aplicadas no próximo período, e como poderia? Se o seu projeto político consiste justamente no corte de direitos desta população para que a conta da crise econômica seja paga pelo povo enquanto de outro lado se aumenta a taxa de lucro da burguesia nacional.

Afinal, o desmonte da legislação trabalhista implicará, por exemplo, no corte da licença maternidade, direito fundamental para que as mulheres permaneçam no mercado de trabalho e mantenham sua independência econômica, de outro lado, a terceirização, que na prática é ausência de direitos trabalhistas, irá atingir as mulheres negras e pobres e também a população LGBT que hoje ocupam a maioria dessas vagas, já extremamente precarizadas.

De outro lado, o recrudescimento do controle estatal sobre a população por meio da força militar e policial, implica no aumento do encarceramento em massa da população negra e pobre moradora das periferias brasileiras e também no aumento da criminalização dos movimentos sociais.

O debate da representatividade dos setores explorados e oprimidos, os trabalhadores, mulheres, negros e lgbt’s, nunca foi tão urgente, inclusive, não há como eximir os governos petistas de um balanço duro por nunca terem sequer proposto políticas efetivas de aumento da representatividade desses setores no parlamento. Estamos pagando o preço da política de alianças petista que deixou de lado os interesses do povo.

Isso porque, antes mesmo do golpe, o número de mulheres no parlamento não chegava, em média, a 10% e os negros e lgbt’s, não passavam de 8%. Esse cenário revela a falência do sistema político que sufoca a voz da maioria do povo brasileiro e também a necessidade de reformas estruturais, com as quais, o PT optou por não se comprometer, inclusive, quando indagado sobre tais temas em diversos momentos de campanha e no decurso no governo a afirmação era expressa de que tais enfrentamentos não eram prioridade e não seriam feitos.

O cenário hoje com Temer e companhia no poder, é que mesmo essas ínfimas representações do povo no parlamento estão ameaçadas, com a nomeação de ministros Temer reafirma que em sua “ponte para o futuro” o espaço das mulheres é o silêncio do recato, o papel de “bela” que consiste em nos colocar como enfeite no cenário político e o privado do lar.

A verdade é que Temer nos quer em silencio, pois caladas não atrapalharemos a aplicação do seu pacote de maldades, o que ele não sabe é que em cada mulher que ocupou as ruas no ultimo período existe uma coragem e indignação que cresce a cada jovem assassinado, a cada mulher desempregada, e assim, com seus ataques, Temer começa a cavar a própria cova. Não voltaremos ao silencio e nem ao lar, as ruas nos pertencem.


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