Por uma vereadora feminista, jovem e de esquerda em São Paulo! - Isa Penna 50.000

O intuito desse manifesto é apresentar a pré-candidatura da Isa Penna, pelo PSOL, e estimular as pessoas, especialmente as mulheres, a se organizem para ocupar a política e construir uma sociedade igualitária e livre de opressões.

E por que queremos ver as mulheres como protagonistas dessa construção? Porque mesmo com infinitas diferenças que possam ter entre si, elas enfrentam, cotidianamente, problemas bastante parecidos. O salário de um homem, por exemplo, é 30% mais alto, mesmo que esse homem execute o mesmo serviço ou tenha o mesmo cargo que uma mulher. Anualmente, 2,1 milhões de mulheres são agredidas e, diariamente, 10 são assassinadas no Brasil, além de terem que aguentar a violência e assédio nas ruas e nos transportes públicos, com cantadas desagradáveis e opressivas, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. O atendimento à saúde em hospitais e postos de saúde não contempla as demandas das mulheres trans e compromete a saúde das mulheres cis, principalmente das lésbicas e bissexuais, por partir do pressuposto de que a vida sexual ativa feminina está limitada à reprodução. Além disso, não existem creches, lavanderias ou restaurantes públicos nas cidades, pois o trabalho doméstico também é visto como de responsabilidade feminina.

Nesse sentido, uma das razões importantes para decidirmos pela necessidade da pré-candidatura não poderia ser outra que não a indignação e a vontade de mudar tudo o que está aí. Acreditamos que este seja o sentimento que mais pulsa forte no coração de quem sofre com a exploração e a opressão, que busca sobreviver nas mazelas do capitalismo.

Na disputa política nacional pelo poder, PT e PSDB fazem um jogo de cartas marcadas. Dois setores que representam a precarização das nossas vidas e a derrota do futuro da nossa gente, porém no atual cenário da política brasileira não podemos deixar de repudiar a direita mais conservadora que tenta aplicar um programa que visa atacar ainda mais nossos direitos conquistados, sob argumentos burocráticos e "éticos".

Éticos? Nesta briga temos Eduardo Cunha, com suas contas na suíça, denúncias de propina e compra de votos no congresso nacional, o PSDB com suas privatizações que acabaram com nossas riquezas e bens públicos em troca de encherem o próprio bolso de dinheiro. Do outro lado temos o fadado PT, que, por mais que no discurso tente se manter próximo aos movimentos sociais, não faz mais jus ao vermelho de sua bandeira e não carrega mais os interesses do povo. Assim, todos acabam defendendo a terceirização, o ajuste fiscal que retira nossos direitos e tendo o rabo preso com as empreiteiras que financiam suas campanhas. Temos que repudiar a direita golpista, mas sem ter ilusões que a transformação social irá acontecer apenas mantendo as coisas como estão.

Aumenta-se o preço de tudo e abaixam o valor dos salários. Temos a violência policial cotidiana contra os jovens negros da periferia; fica cada dia fica mais caro apenas andar pelas cidades; querem aprovar o Estatuto da Família e reduzir a maioridade penal; vetam o debate de sexualidade e gênero nas escolas e aumentam o controle sobre o corpo das mulheres, dificultando procedimentos abortivos em casos de estupro. Não podemos mais conviver com esta precarização das nossas vidas sem dar um grito de resposta. Estamos, assim como estão as mulheres, jovens, negros, LGBT’s, e os trabalhadores e as trabalhadoras, extremamente indignados e indignadas e precisamos dar respostas cada vez mais fortes a esses ataques.

Mas não é esta a razão mais importante pela qual lançamos a campanha. O motivo mais importante de todos os elementos está acima da indignação e não vem dos jornais, nem dos parlamentos, muito menos de qualquer governo, este motivo vem das ruas tomadas pelas mulheres na primavera feminista, nos atos contra o aumento da tarifa, da luta pela legalização das drogas, pelas campanhas contra o extermínio da juventude negra, pelo reconhecimento dos direitos da população LGBT. Vem também das escolas ocupadas por uma nova geração de lutadores e pelo aumento do número de greves que explodem em nosso país. Estamos falando da esperança que cresce nestes setores, ainda que de forma lenta e dispersa, da conscientização de que só em coletivo teremos o poder de transformar a nossa realidade em digna. E a nossa campanha quer estar a serviço disso, quer fazer com que mais pessoas se organizem e percebam que só a luta coletiva muda a vida.

Ao mesmo tempo em que temos a indignação com o cenário político nacional e buscamos construir coletivamente saídas para termos uma sociedade igualitária, somos esmagados e esmagadas pela selva de pedra paulistana. A cidade com mais de 11 milhões de habitantes é um símbolo da desigualdade e das injustiças sociais.

Enquanto temos a segunda maior frota de helicópteros do mundo, a maioria da população é obrigada pagar R$ 3,80 para andar por mais de 3 horas de transporte coletivo para ir trabalhar. Grande parte de nós é obrigado a viver com um salário mínimo em uma das cidades com o maior custo de vida do país. Convivemos com escolas públicas e hospitais de baixa qualidade, poucos espaços para lazer gratuitos, com a especulação imobiliária que expulsa os pobres para regiões cada vez mais distantes do centro da cidade e com uma forte violência policial. São Paulo é a cidade onde tudo é caro ou proibido.

E isso é ainda mais verdadeiro para as mulheres da cidade, porque a falta de políticas públicas as atinge das piores formas. Elas são sub-representadas na Câmara (temos apenas 5 vereadoras) e suas jornadas duplas e triplas são reforçadas pelo déficit no número de creches, que atinge mais de 150 mil crianças. O preço no transporte público pesa mais sobre as mulheres, que ficam com as tarefas de levar doentes aos hospitais e crianças às escolas. Quando as unidades de saúde são mal distribuídas ou há perigo de reestruturação escolar, é certo que as mulheres são as que mais sofrem as consequências. Também são as mulheres que mais sofrem com o déficit de 270 mil habitações, já que é crescente número de mulheres chefes de família. Por outro lado, as políticas públicas, quando existem, tendem a atender menos as mulheres: de que servem ciclovias concentradas no centro ou mal iluminadas para a maior parte das mulheres nessa cidade? De que adiantam iniciativas de aumento da participação política quando as mulheres não têm tempo para irem para estes espaços de discussão e decisão?

E temos certeza que a única maneira de mudar a realidade é ocupando a política. Já estamos parando as ruas da cidade e precisamos agora buscar aumentar o número de parlamentares que sejam ligados à nossa luta. Sabemos que a grande transformação virá do povo nas ruas, porque essa transformação não virá das casas legislativas onde empresários e latifundiários são maioria, onde mulheres ocupam em média 10% dos cargos e negros e LGBTs são ainda mais excluídos e que quase a totalidade dos nossos políticos são comprados pelos seus financiadores e estão distante da realidade do povo. Por conta disso nossa luta se torna ainda mais difícil.

Compartilhamos da desilusão provocada pelo papel que hoje cumprem os parlamentares, em regra no Brasil. Porém, isso não é natural e sim uma opção política dos que estão aí e isso é oposto ao que defendemos. Queremos debater abertamente com todos sobre o que pensamos da sociedade, convocar as pessoas a se engajarem neste processo desde o início, dizer não a qualquer forma de financiamento empresarial, não aceitar fazer qualquer tipo de aliança eleitoral que nos faça ter mais votos em detrimento da liberdade de defender o que pensamos. Se queremos transformar a sociedade por inteiro, temos que transformar também o modo de fazer campanha e ocupar os espaços políticos.

A candidatura deste coletivo, ainda que expressa num nome, tem o objetivo de colocar em contato as tantas lutas hoje existentes e aumentar suas visibilidades. Na busca de sempre manter uma postura humilde frente aos ensinamentos dos diversos sujeitos, nossa proposta é ousada e construída com muita animação. Queremos ver unidos o operário cansado de tanto trabalhar, a mãe solteira e chefe de família, o estudante que trava luta em sua universidade, o jovem negro da quebrada que faz de cada dia de sua vida um símbolo de resistência, a população LGBT mais pintosa e o maconheiro que defende a legalização das drogas. Enfim, a unidade de todos que sofrem com as condições de vida cada vez mais precarizadas!

Humildade é a palavra que nos guia, e por isso, estamos abertos à contribuição de cada pessoa indignada e também esperançosa. É necessário trocarmos experiência de diversas realidades de luta e pensarmos nossos passos conjuntamente e nossa a pré-campanha vem para somar a isso e, portanto, se coloca como missão esta tarefa que só pode ser cumprida com você que agora lê este manifesto.

Mulheres e juventude nas ruas por respeito e direitos!

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